Prefácio
Fixe este dia: 31 de maio! Nunca mais se esqueça.
O propósito deste livro é o mesmo que nos levou a lançar a celebração do Dia dos Irmãos a 31 de maio. É o propósito de lembrar, o propósito de nunca esquecer. É o propósito de lembrar os nossos irmãos e irmãs, de nunca os esquecer, de os ter sempre presentes, sejam quais forem as circunstâncias.
A instituição de uma data para o Dia dos Irmãos replica o que socialmente se faz a propósito de tantas referências públicas e também de outras festas familiares muito antigas: o Dia da Mãe, o Dia do Pai, mais recentemente o Dia dos Avós. Habitualmente, estamos ou comunicamos ao longo de todo o ano com estes familiares que mais nos marcam e marcaram; mas uma vez por ano celebramos especialmente a alegria e a gratidão de os termos ou a sua memória. A família produz estes laços e é feita destes laços.
Quando começámos, vimos que noutros países existiam movimentações similares. É sobretudo o caso dos Estados Unidos da América, onde rolam três iniciativas com datas e denominações diferentes, de que uma se destacou como a mais conhecida das três. Noutros países, a ideia parece ter divulgação limitada. O facto de, a nível mundial, as datas serem diferentes não deve impressionar-nos, nem confundir-nos: o muito mais antigo Dia da Mãe tem as datas mais diversas por todo o mundo. E o mesmo acontece com outras festas similares. Por isso, lançámos a nossa própria iniciativa, com a nossa própria inspiração e procurando que se torne a referência principal na Europa e na CPLP. Só o futuro dirá se conseguiremos.
A movimentação pelo Dia dos Irmãos foi lançada em 2014, quando se fez uma primeira experiência. Nesse mesmo ano, em 18 de setembro, a assembleia geral da Confederação Europeia das Famílias Numerosas (ELFAC, na sigla em inglês) instituiu a data definitivamente, dando-se início em 2015 às primeiras comemorações. Em Portugal, é a APFN – Associação Portuguesa das Famílias Numerosas que tem assumido o encargo de centralizar a dinamização anual desta movimentação social, familiar e cívica. Tem-se conseguido colaborações e parcerias importantes, nomeadamente na comunicação social, no comércio e noutras empresas, em escolas e autarquias. Ano após ano, sentimos que é cada vez maior o conhecimento público desta data e do seu significado. Mas é muito importante, na base, a colaboração espontânea de todos. Estas datas vivem da adesão pessoal de cada um – só aí, aliás, ganham verdadeiro significado. Passar palavra, passar palavra, passar palavra. Há uma razão para as famílias numerosas serem o maquinista desta movimentação e da festa anual dos irmãos. Não é que só haja irmãos e irmãs nas famílias numerosas. Não é assim. Uma família com dois filhos não é família numerosa e tem irmãos. Este é, aliás, o meu quadro pessoal e familiar, pois só tive um irmão de quem guardo muita saudade: o Fernando, que foi, entre outras coisas, fundador e primeiro Presidente da APFN e da ELFAC. Mas as famílias numerosas são aquelas que têm mais irmãos, sendo esse justamente o seu traço distintivo; e, portanto, são aquelas que são naturalmente mais sensíveis à intensidade e à variedade desta relação. As famílias numerosas não são as únicas, mas são provavelmente o melhor trator desta ideia.
Este livro reúne um conjunto de textos que, a nosso pedido, foram escritos por vários autores e publicados em diferentes órgãos de imprensa, nas proximidades da data. Agradeço uma vez mais a todos os que os escreveram, bem como aos jornais que os acolheram e os deram a público. Muito obrigado. Estes textos, aqui compilados, dão testemunhos diversos, olhando o tema a partir de ângulos diferentes. Creio que constituem um conjunto muito variado e muito rico, que tencionamos continuar a aumentar e a enriquecer todos os anos. Estes artigos têm sido uma das formas mais penetrantes, mais humanas e mais próximas de divulgar a ideia e enraizar o 31 de maio. Não há melhor do que o testemunho pessoal. Esta festa não é palavreado, não é doutrina, não é teoria – é vivência. Com tanto para ler, não devo repetir. E creio que não repito, se aqui partilhar a reflexão que uma vez ouvi e não tinha racionalizado até então: os irmãos e irmãs são aqueles que normalmente nos acompanham ao longo de toda a vida. Os pais e avós vemo-los partir; os filhos e netos veem-nos partir. Os irmãos e irmãs são os nossos contemporâneos, os nossos primeiros parceiros, aqueles com quem vamos descobrindo o mundo e construindo visão e entendimento. Podem estar connosco desde sempre e para sempre – ou quase. Já havia festas familiares a celebrar a relação vertical de ascendência/descendência. Faltava a festa que comemora esta relação ao mesmo nível, este comum patamar, esta cumplicidade. Por isso, por estes traços marcantes de cumplicidade, incluímos no espírito e na memória deste dia todos os desta linhagem horizontal, todos os irmãos e irmãs, sejam os irmãos propriamente ditos, sejam os tios (irmãos dos pais) ou os primos (filhos de irmãos dos pais). Esperamos que goste deste livro e que ele de alguma forma o inspire. Que o inspire a fazer uma graça qualquer às suas irmãs ou seus irmãos. Que o inspire a lembrar as suas histórias e a dar testemunho delas no seu espaço pessoal e familiar e na sociedade em que vivemos. A nossa sociedade precisa muito de ser regada com histórias de família, para aí beber a alegria, a força e a motivação do futuro.
Fixe este dia: 31 de maio! Passe palavra: o Dia dos Irmãos é a 31 de maio. Não se esqueça.
Parede, 30 de abril de 2018
José Ribeiro e Castro
(coordenador)