«É mais do que inspirado este título do livro que Manuel de Lima Bastos acaba de oferecer a Portugal: O Retrato de Aquilino – Pintura sobre Palavras. Ainda não chegámos lá, mas um dia há-se vir em que Aquilino Ribeiro será olhado e apreciado como um dos mais significativos expoentes da alma lusíada porque a sua obra mergulha em tudo quanto faz parte de Portugal. E o que, com mais verdade, faz um povo e constrói uma nação é a sua língua. Quem se gosta português, quem ama Portugal terá de bater à porta de Aquilino e conversar com ele sobre o que fomos e quem somos no mundo. Manuel de Lima Bastos bateu à porta da casa do escritor e foi Aquilino em pessoa que generosamente lha veio abrir. Falou, falou e falou. Observou, observou e observou. Com tal sensibilidade e sucesso que, às vezes, parece superar o mestre naquelas profundezas onde se encontra o melhor da verdade, o melhor do que existe dentro de nós. Manuel de Lima Bastos apresenta-nos trabalho atrás de trabalho porque, apaixonado por Aquilino e pela obra imorredoura que legou à Pátria, é também a si próprio que se realiza. Depois porque, levado por essa paixão, meteu ombros a uma obra que, pela própria natureza, nunca terá fim. É bom para quem ama Aquilino porque amar Aquilino é uma das formas de amar Portugal. Vamos, pois, tomar em mãos este Retrato de Aquilino mas, tendo em conta quem foi o seu pintor, não podemos deixar de manifestar a nossa admiração já que Manuel de Lima Bastos tem realizado uma obra que é a demonstração da maior e mais bela sensibilidade patriótica.»
D. Manuel Martins, bispo emérito de Setúbal